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quarta-feira, 7 de março de 2012

Um mundo bem diferente

http://vimeo.com/37119711 (Assistam ao vídeo e depois leiam !)

Quando vemos um vídeo desse, as portas de nossa percepção se abrem para uma realidade totalmente diferente, que convive com miséria, sofrimento, desigualdade e intolerância todos os dias, sem exceções.
Uma percepção que abre os nossos olhos para a nossa realidade, que perto dessa, soa como um conto de fadas, com direito á príncipes encantados e sem bruxas ou seres realmente malignos. Achamos que convivemos com o mal de verdade, quando na verdade ele está muito, mais muito distante de nós. Temos que conviver com a dualidade bem/mal, mas não com a maldade de verdade, na sua face mais fria e truculenta, nos esquecendo de ela existe de fato e que acontece justamente com o nosso semelhante ( não esqueçamos que todos os "homo sapiens" desse lugar chamado Terra são exatamente iguais, independente de cor, raça, religião e por aí vai).
É claro que imagens como essa nos chocam, nos deixam indignados , morrendo de vontade de fazer algo, afinal todos nós possuímos aquele sentimento cristão de caridade , de prezar pela vida do próximo, mas quantos fariam isso de verdade? Quantos estariam realmente dispostos a deixar sua realidade de conto de fadas para ser levado por uma causa como essa? É muito simples se sensibilizar no conforto de sua casa, na frente de um computador compartilhando no Facebook, mais me diga, você deixaria o quentinho de sua casa, com roupa lavada e passada , comidinha na mesa todos os dias, para se colocar num verdadeiro campo de batalha, lutando não só contra esses seres malignos, mais também contra doenças, ódio, indiferença, preconceito , miséria e sofrimento ?
É aí que eu me pergunto até onde vai essa ‘mobilização’,quantos estariam de fato dispostos a dar um futuro diferente para os seus filhos.
E como sempre foi na humanidade, poucos vão fazer, para que muitos sejam beneficiados.
 Me emociona o fato de saber que existem pessoas que ainda fazem esse tipo de trabalho, para que, quem sabe  daqui a algum tempo esse mundo seja melhor do que é hoje. Pessoas que ficam anos a fio estudando para ir se meter lá onde Judas perdeu as meias , só para ajudar quem mais precisa. Isso sim é trabalho de verdade. É o trabalho que verdadeiramente dignifica o homem, no sentido mais literal possível da palavra, porque todos os dias são uma recompensa, todos os dias são uma vitória, um ganho . Saimos da realidade onde o ganho é somente material, se tornando um ganho espiritual, uma verdadeira recompensa para a alma, e sinceramente , existe trabalho melhor do que esse? Buscamos tanto o sentido da nossa vida, uma maneira de evoluir, quando ela está aí... na nossa cara, e nós só sabemos dizer  “ Mais eu não sei se conseguiria conviver com tudo isso” . Bem vindo ao mundo real, a vida não é sempre essa maravilha que sonhamos que ela seja, ela pede sempre mais para nós, e nós precisamos ter a cara e a coragem de dizer que sim, nós estamos dispostos a mudar e tornar esse mundo um lugar melhor para se viver,mais não somente para eu viver, mais para TODOS nós vivermos.
Temos que parar de achar que o sofrimento deve ser vangloriado, que ele sempre vai significar crescimento, evolução... chega de pensar assim ! Não precisamos de mais crianças morrendo por conta de abusos e doenças graves, não precisamos ver adultos sofrendo por conta de suas vidas miseráveis, desacreditando dela pelo fato desta simplesmente não ter mais sentido... chega disso, o sofrimento é feio, não dignifica ninguém . O bom, o feliz, o alegre, a força , a maturidade, a inteligência... a coragem , isso sim é dignificante, isso sim é exemplo para que nós mudemos o nosso paradigma de vida, para que o despertar seja sincero e consciente.
Esse sofrimento feio, descarado e frio não existe somente lá na África, está aqui, do nosso lado nos rondando o tempo todo , e nós com a nossa cegueira permanente para esse tipo de assunto, nos mantemos longe dessa realidade , que é real e difícil de ser absorvida.
Se até hoje, a sua vida não teve um verdadeiro significado, um dia pelo menos em que você se sentiu vivo, dentro de uma realidade onde você realmente fez diferença... então eu acredito que você ainda tem a chance de fazer esse diferente. Todos nós temos, nunca é tarde demais para mudar pensamentos, criar coragem e mudar nosso mundo.
Como diria Paulo Freire, “para libertar um país, precisamos primeiro libertar a consciência desse povo”.Enquanto estivermos presos á essa consciência individual, nos importando apenas com o que é confortável e deixando de lado aquilo que nos incomoda... nada vai mudar.
Precisamos despertar nossa a consciência coletiva que eu acredito, que mora dentro de todos nós. E a força para mudar, vem disso. Abra seu coração, saiba que ele está disposto sim a uma mudança, mais que isso só se faz com muita coragem e dedicação, sem precisar do exemplo do sofrimento ou da dor. O despertar precisa ser claro e consciente, se não nada vai mudar de verdade.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI228050-15230,00-MINHAS+RAIZES+SAO+AEREAS.html
Aqui está um pequeno exemplo dessas pessoas que mudam o mundo, o meu mundo, o nosso mundo.
O sonho da minha vida é este, e é só esperar eu me recuperar dessa parada brusca, para poder voltar a correr atrás dele (: E aí, quer fazer parte disso comigo?



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Eu me amo, e você?


                           
COMO A MEDITAÇÃO BUDISTA DESBLOQUEIA NOSSA SABEDORIA E COMPAIXÃO NATURAL (trecho)
Por Sogyal Rinpoche 

"(...)Por isso, primeiro, para ajudar verdadeiramente os outros, devemos ajudar a nós mesmos. Como diz a tradição Cristã: “A caridade começa em casa”. Podemos começar, antes de tudo, conhecendo nossa mente. Na verdade, o ensinamento inteiro do Buda pode ser resumido e uma única linha: domar, transformar e conquistar essa nossa mente.
A mente é a raiz de tudo: o criador da felicidade e o criador do sofrimento; o criador do que chamamos de nirvana, e do que chamamos de samsara. O samsara é o ciclo da existência, de nascimento e morte, caracterizado pelo sofrimento e determinado por nossas emoções destrutivas e nossas ações prejudiciais. O nirvana é, literalmente, o estado além do sofrimento e infortúnio; podeser dito que é o estado de buda ou a própria iluminação.
Como um grande mestre diz:
“Samsara é a mente voltada pra fora, perdida em suas projeções;
Nirvana é a mente voltada pra dentro, reconhecendo sua verdadeira natureza”.
“A mente voltada pra dentro” não significa se tornar introvertido; significa entender realmente a mente, em sua verdadeira natureza."

Estava pensando no quanto esse meu amor próprio, fez por mim nesses últimos meses.E no o quanto essa minha dose de aparente 'egoísmo' faz diferença na minha sobrevivência.
O apego á vida é um instinto natural que mora dentro de nós há milhares de anos, porém o amor próprio é uma coisa totalmente diferente desse instinto. Lutamos para proteger nossas vidas ao máximo quando ela parece nos escapar pelos dedos, porém no dia-a-dia a realidade parece-me ser outra: deixamos as pessoas pisarem em cima de nós sem que digamos um 'a' , deixamos nossa personalidade de lado por conta dos outros, sendo que a melhor forma de se afirmar algum tipo de amor é aceitando a pessoa como ela realmente é. O 'instinto de sobrevivência' talvez seja algo muito mais relacionado á saúde, mais mesmo assim , pouquíssimas são as pessoas que eu vejo que condenam 100% o cigarro ou o consumo desenfreado dessas milhares de bobagens que ingerimos por dia. Então, resumindo, cheguei a conclusão que hoje em dia, ninguém mais tem amor á si mesmo...

O maior medo das pessoas hoje em dia é realmente esse: o encontro com o seu 'eu', pois seus fantasmas são mais assustadores do que todos os outros que vivem por aí fora. Nossa mente parece-nos muito mais complicada de lidar do que todas as outras mentes humanas juntas, e por isso é muito mais fácil escapar delas nos ocupando com outras, ou quem sabe mudando a nossa, para nos adaptarmos melhor ao que essas outras pensam. Mais será que é melhor mesmo?

Relembro a minha experiência de 28 dias trancafiada dentro de um hospital , sem poder sair nem para andar na rua, e penso em quantos momentos implorei para ficar sozinha lá. Era um desafio pra mim, e o meu objetivo era exatamente este: confrontar com os meus próprios medos, com os meus fantasmas, encarar a mim mesma de frente... porque só assim eu ia conseguir enfrentar todos os problemas externos que me aguardavam. E sinceramente, o meu encontro foi maravilhoso. Raspar meu cabelo foi uma das primeiras provas disso. Foi uma descoberta, foi um renascimento , uma transformação que só eu mesma poderia fazer... ninguém mais faz isso por nós, não adianta. Eu deixar aquele simbolo tão material, porem tão necessário de lado, foi como uma libertação pra minha alma: eu estava livre do contorno tão destrutivo da aparência. Estava feliz e contente comigo mesma, mesmo sem ser a menina mais bonita do mundo aos olhos dos outros. Eu era a pessoa mais bonita do mundo, porém somente ao olhar que realmente importava: o meu.

O meu auto-conhecimento foi preciso para eu perceber tudo isso , e o amor próprio mais ainda. Como vamos querer amar a outra pessoa, se não suportamos nem a nós mesmos? Uma pessoa que ama a si mesma,aprende que é capaz de transbordar tanto amor, que nunca faltará para si e nem para os outros. Aprende que a solidão não é um problema, mais uma aliada nas horas mais difíceis. Aprende que a sua mente é transformadora de ambientes, de amores, de pensamentos... de universos! O mundo está em nossas mãos, sempre, e só nós não nos damos conta disso.

Então que tal parar de esperar o momento em que a vida clamará para que você corra atrás dela, e começar  a valoriza-la desde agora ! Olhe para dentro de si, avalie suas virtudes e defeitos, faça deles um aliado para construir um amor que nunca vai acabar, e quando acabar, vai ser porque você se acabou. O amor que temos por nós morre, quando nós morremos também.
Corra atrás desse amor, porque quando você descobri-lo, descobrindo-se, vai ver que o mundo é um lugar muito melhor para se viver.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A minha vida tá girando




Estranho como a vida da gente é verdadeiramente uma roda da fortuna. Temos altos e baixos e tudo isso é controlado inexoravelmente pelo destino, ali representado pela esfinge : "Decifra-me, ou devoro-te".
Porém, dentro desses altos e baixos sempre existe algo 'por trás'.Nada nunca é por acaso e isso eu já sei bem. Cada lição nova que temos nessa vida, seja ela boa ou ruim, é uma forma que esse tal de destino nos dá, de quem sabe um dia nos tornarmos pessoas melhores, para nós e para o mundo.Lições como as que eu tive e ainda tenho, são exemplos disso. Só pude me tornar alguém melhor e de fato perceber isto porque passei momentos de tristeza e privação, como foram nos ultimos 8 meses. Mais também porque vivi os momentos mais felizes da minha vida e hoje sei o que eles realmente significam e o quanto realmente importam.
Sei o valor de cada pessoa , sei o meu valor. Comprovei, que de fato , amor se constrói e não se vem automaticamente como muitos pensam. Amor de verdade se mostra nas piores horas, se revela na sua face mais bela nos momentos mais tristes.
Sei também o valor da palavra paciência, e o quanto ela faz diferença em nossas vidas: esperar nunca é demais, quando no final o presente é a sua vida de volta. Essa tal paciência, nada mais é , trocando em miúdos, do que eu chamo de "ciência da paz", que se exercitada da maneira correta só pode nos trazer bons resultados.
Não tenho mais medo de perder meus dias com bobagens, sei agora que cada um deles , é um verdadeiro presente que me foi concebido.
Não tenho pressa para conseguir as coisas que desejo, sei que meus sonhos vão se realizar porque se a vida me deu uma segunda chance foi pra eu provar que todos esses sonhos são passiveis de serem realizados, não importa quando nem onde.
O fantasma do medo nunca me assombrou, porque eu confio naquilo que me foi dado: confio na minha vida e em tudo que ela tem de bom . Confio também que, assim como é mostrado na roda da fortuna, as coisas ruins fazem parte dela, e só com elas pode haver de fato um equilíbrio... porém quem dá conta de fazer isto acontecer somos nós.

Deveríamos, quem sabe, nos inspirar um pouco nessa representação tão antiga que é a esfinge : ter a cabeça de um ser humano, para pensar e aplicar esse conhecimento em coisas boas. Aplicar as garras de um leão, que nada mais representam do que o 'ousar' , ou seja, arriscar e não se prender á conveniências materiais. Usar os flancos, que nos destinam ao querer e as asas, que nos fazem silenciar.
Saber pensar as coisas certas, escolhe-las independente do que os outros pensem , deseja-las porém sabendo a hora certa de fazer o uso delas é  a melhor maneira de decifrar o enigma de nossas vidas.
Eu escolhi não ser devorada pelo meu destino, escolhi decifra-lo e fazer dele o melhor possível.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O novo e o velho




Deveria ter escrito um texto de final de ano, afinal, 2011 foi um ano um tanto quanto diferente pra mim , se comparado com todos os outros 18 anos que já tinha vivido até então. Mais decidi que queria fazer algo que me desse a oportunidade de poder mesclar um pouco das coisas entre e o ano que foi e o ano que chegou , afinal é com esse passado que começo a moldar meu presente e apenas pensar no meu futuro ( reparem que coloquei pensar, não planejar). Não quero colocar aqui , e na verdade esse nunca foi o objetivo desse blog, motivos para que pessoas como você que lê isso agora ,se sinta mal por reclamar tanto da vida mesmo ‘tendo tudo normal’ na sua vida. Todos temos problemas, mesmo que seja uma dor na perna ou um amor não correspondido. Ninguém pode mensurar a dor que o outro sente muito menos julga-la, porque afinal cada ser humano é único nesse lugar, e sendo assim, seus sentimentos são únicos e eu respeito isto.
Por isso quero colocar nesse primeiro post do ano nosso fator em comum, meu e seu.
Pra começar, você já parou  pra pensar que você é um ser humano? Você é apenas isso, um ser humano cheio de limitações, e felizmente mortal ,e é a partir disso que deve começar a fazer seus planos, porque é a partir dessa pequena, mais existente limitação que devemos começar a buscar nossos objetivos .E ninguém mais humano do que eu para falar disso, afinal meu pequeno e rápido flerte com a morte me deixou claro o fator de ser apenas humana , porque foi nessa experiência que dura até agora , que eu levei um pequeno tapa na cara sobre uma das condições ‘de ser apenas humana’ . Pode-se deduzir pelo meu tom, nesse texto , para quem não me conhece ,que eu nessa experiência apenas aceitei o fato de sermos tão ‘limitados’, mais se você me acompanha a um bom tempo sabe que a história não é bem assim.
Então eu começo a pensar: o que faz uma pessoa ter vontade de viver sabendo que as coisas na vida são tão cheia de obstáculos, de limites? Qual é a graça de viver, sem ter de fato a famosa liberdade de fazer tudo que queremos, a hora que achamos melhor ?
Bom, eu posso dizer que é muito melhor viver e estar vivo sabendo que os limites existem , do que simplesmente não viver. O medo de perder essa oportunidade me fez enxergar isso e se eu posso servir de atestado de alguém que tem vontade de viver essa vida, aqui vai o meu grande conselho : aceite, você não é o super homem muito menos o homem aranha. Você é apenas o José ou o Paulo, mais ainda assim você é muito muito muito especial, apenas pelo fato que está aqui, então reconheça isso. Mas não reconheça isso para os outros, afinal ninguém precisa de mais um ser humano dependente dos outros para sobreviver, mas reconheça isso para si mesmo. Reconheça e agradeça pela pequena oportunidade de estar aqui nesse lugar tão bacana que é a Terra. Nem tudo é desgraça , você sabe disso. Na verdade,  a maioria das coisas não são , muito pelo contrário, qualquer pequeno momento aqui é uma chance , é uma esperança, é um sorriso, uma palavra que podem se tornar apenas coisas boas, basta nós nos esforçarmos para que isso aconteça. Pare de viver os dias... viva os momentos. Pare de contar as horas que passam nesses dias, apenas deixe que elas corram sem que você tenha a consciência que um dia lá um cara limitou os dias nelas. Não estou dizendo para você simplesmente jogar seu relógio no lixo, afinal eu não seria nem louca de lhe pedir isso, mais estou apenas pedindo que você se dê a oportunidade de fazer essa expedição por este lugar e depois um dia, se você encontrar a famosa pedra no caminho, saiba como lidar com ela, porque afinal quem sempre viveu se limitando, na hora que encontra um limite de verdade simplesmente não sabe como ultrapassa-lo.
Mais escrevendo assim, parece que com a minha experiência eu ganhei uma vida totalmente nova, cheia de coisas que me dessem motivos ,e é claro liberdades para viver. É,mais é muito pelo contrário. A minha pedra no caminho me deu apenas mais e mais limites e dessa vez limites reais para continuar vivendo. Limites totalmente reais e palpáveis. Uma realidade que para muitos na verdade é difícil de se imaginar, porque afinal nunca pensamos que poderia se ‘viver’ assim : contando leucócitos para ver se posso ficar perto das pessoas ou não, plaquetas para saber se posso levar um tombo sem ter uma hemorragia ou quem sabe o quanto de hemoglobina existe no meu corpo para que eu consiga pelo menos ficar em pé. Enquanto a realidade de muitas meninas da minha idade, na verdade a maioria delas, é pensar no que o namorado esta pensando dela agora, a minha é simplesmente pensar no que vai ser do resto da minha vida a partir deste momento e eu dou graças a Deus por isto. Hoje, eu sou mais livre do que jamais fui durante toda a minha vida. Hoje eu sei o que significa de verdade a palavra ‘liberdade’ e sei valoriza-la a cada instante que vivo, sei fazer minhas escolhas baseada em algo que é real. Engraçado como a vida é , encontrei minha liberdade vivendo numa bolha de limites. Não estou dizendo que não preferia estar me importando com o que o meu namorado pensa de mim, afinal isso é muuuuuuuuuuuito mais legal do que contar leucócitos , plaquetas e hemoglobina... Mas pensando bem, sem o meu namorado eu viveria, agora sem meus leucócitos, plaquetas e hemoglobina seria um tanto quanto mais complicado de SOBREVIVER.
Não não, não estou dizendo que viveria sem o grande amor da minha vida, mais é que antes de começar a busca-lo eu precisei encontrar o verdadeiro amor dentro da minha vida, que foi o amor por mim mesma. Todos esses fatores , sanguíneos, apenas ilustram uma pequena parte das coisas que deveríamos valorizar para encontrar a verdadeira liberdade no viver e a partir disso amar, beber, comer , se reproduzir...entendeu?
Então que tal escolher sobreviver assim: vivendo de verdade os momentos, se valorizando e principalmente aceitando seus limites, porque somente quem tem a humildade de reconhece-los é capaz de no final encontrar a si mesmo.
Nós somos iguaiszinhos, desde o momento que fomos concebidos até o momento que vamos ter que partir, a nossa única diferença durante toda essa passagem é como escolhemos fazê-la. Sinceramente, não sou diferente , agora, pelo fato de não ter cabelos e ter um cateter acoplado no meu peito, mais sou diferente porque ganhei essa lição de como fazer a passagem de uma forma real e não passa-la á você seria muito egoísmo de minha parte. É como ganhar uma caixa inteira de bombons , ter milhares de pessoas ao meu redor e não querer reparti-la. Então aproveite essa doce experiência que estou lhe oferecendo,  e hoje apenas sente ali no jardim , curta esse céu azul e esse sol maravilhoso e agradeça, de verdade, por estar aqui.Feliz ano novo.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Desistir ou não, eis a questão! É, muita gente acha que eu nunca pensei em fazer isso, mas sim, eu já pensei muitas e muitas vezes. Perguntas como: "Porque isso aconteceu justamente comigo? Porque justamente agora? O que eu fiz de tão errado pra merecer isso?" já borbulharam na minha cabeça muitas vezes.

A primeira foi umas três semanas depois que tinha saído do Hospital, por uma crise totalmente sem fundamento que me levou a esses pensamentos, fiquei chorando sozinha no meu quarto antes de dormir e me fiz essas questões sem, como já era de se esperar, encontrar respostas.
A segunda foi mais intensa: acho que passei as semanas seguintes desde o primeiro questionamento alimentando uma frustração por não achar respostas, e isso foi também tirando pouco a pouco toda a força que eu parecia ter desde o começo, força essa que nem eu sei explicar da onde tirei, e que uma hora ou outra, ia ter que dar uma brecha pra tristeza de saber que tinha uma doença como essa, afinal, eu sou humana não sou? Eu tenho direito sim de chorar, de fraquejar, de dizer que eu não merecia isso e que eu queria ter uma vida normal...e eu não quero escutar  "mas não chore", "já vai passar", eu quero apenas saber se eu fiz alguma coisa de errado, porque se eu fiz quero consertar  mesmo que agora o "castigo" já esteja sendo cumprido. Estava internada pela segunda vez, sozinha novamente, e aí no meio dessa crise toda me chega no quarto quem eu menos esperava: meu médico. É, aquele que todo mundo dizia ser frio, mal educado, que não falava direito com os pacientes... mas que com as minhas folias de usar uns brincos diferentes, colocar panos coloridos na cabeça, viver escutando música alta, ter o quarto todo enfeitado e claro, falar pelos cotovelos; virou meu amiguinho e ao me ver chorando pela primeira vez (depois de 2 meses de tratamento) me disse o seguinte: "Você pode chorar viu? Quem enfrentou brilhantemente toda a primeira fase de um tratamento intenso como esse tem o direito de chorar sim, tem o direito de ficar triste de vez em quando. Afinal não é fácil mesmo passar por tudo isso que você tá passando". Ele deu uma batidinha no meu joelho e eu percebi que ele também não tinha ficado feliz de me ver daquele jeito, então parei com a choradeira.

Depois desse dia, todo dia ele reclamava de algo: ou era porque eu não tinha colocado brinco, ou lenço, ou porque não estava zanzando pelo quarto, ou porque não tinha pintado as unhas... até que no ultimo dia já tinha feito tudo isso, e então estava tudo bem.
Minhas perguntas talvez não tenham respostas, mas de uma coisa eu tenho certeza: isso não aconteceu justamente comigo por acaso, aconteceu porque eu tinha que enxergar coisas que, na vida que eu levava talvez não enxergasse. Disse para minha mãe que depois que comecei o tratamento me sentia mais inteligente sei lá porque, e ela disse: "Não é mais inteligente... é mais sensível. Você sempre foi sensível, mais isso se multiplicou depois que tudo isso começou."
É difícil de imaginar mesmo que uma menina com 19 anos, no "auge" da vida aceite deixar "tantas coisas" de lado na boa assim como eu tenho aceitado: raspar o cabelo, ficar com o rosto inchado ( porque apenas meu rosto está inchado ok? Não engordei nem um quilo, nem emagreci, graças a Deus), parar de estudar, não poder sair, sentir dores constantemente, ter músculos comprometidos (o que me leva a ter aquelas coisas de "gente velha" tipo "travar" de vez em quando), ter uma diabetes temporária... Às vezes nem eu acredito que consegui lidar com isso tão bem, mais o fato é: eu já estava preparada pra lidar com tudo isso. Sempre fui atenta pra várias coisas que muitos deixavam de lado e de fato não fazia muito o tipo "menininha de 19 anos deslumbrada com sua vida feliz". Parece que eu já sabia que tudo isso iria acontecer e eu já estava me preparando psicologicamente pra isso...  seria tão bom se todos tivessem essa oportunidade tão misteriosa que eu tive, porque não ganhei apenas uma segunda oportunidade de viver, ganhei uma oportunidade de enxergar que a forma como sempre pensei sobre as coisas do mundo é a que vale a pena, e que eu tenho sim que lutar por ela e nunca desacreditar que ela pode dar certo. A sensibilidade é inerente ao ser humano, e se esquecemos de usá-la tudo perde o sentido, porque acabamos vivendo só pelos nossos "instintos" e todo mundo sabe que viver assim não dá certo.

Quer um pequeno exemplo de como "não bloquear" a sua sensibilidade pode dar certo?
Toda vez que saio na rua as pessoas ficam me olhando , porque de fato é impossível não olhar uma pessoa careca e com o rosto gordinho e o corpo magro. Mais imagina só se eu fosse desistir de andar na rua, tomar meu sol...tudo isso pelo olhar das pessoas (que sempre diz mais que mil palavras). Eu sou uma pessoa normal, tenho uma doença que é claro que me traz limitações, mas a Lívia continua a mesma. Eu gosto de sair com minhas amigas, de dar risada, eu vivo brigando com o meu pai porque ele simplesmente adora controlar tudo que eu faço, eu vou ao salão pintar minhas unhas com cores diferentes...E é por confiar no fato que eu continuo presente que a minha sensibilidade fez toda a diferença pra mim.

Acredito que a sensibilidade mora dentro de cada ser que habita este lugar, ninguém nasce sem ela. O problema está em querer estimulá-la ou não, porque o que normalmente impede as pessoas de estimularem a própria sensibilidade é aquele pensamento "o que os outros vão pensar de mim?", ou pior..."porque ‘fulano disse que..." e aí você não faz o que quer . Ser diferente é a melhor forma de viver, e as pessoas nunca se apercebem disto.




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quimioterapia :)

Nem acredito que hoje estou escrevendo esse post, até parece uma mentirinha pra mim, mas...é verdade.

 Hoje, dia 28 de novembro, estou realizando minha ultima dose de quimioterapia no Ambulatório do Nossa Senhora das Graças.  O tratamento não se encerrou, ainda tenho mais 1 ano e meio ,só que depois de hoje passarei a usar apenas quimioterápicos via oral. Isso não significa que vai ser fácil, mas que as coisas vão se tornar um pouco menos complexas com certeza. O fantasma de internações, intercorrências e tudo o mais ainda vai existir, afinal eu continuarei tomando meus remédios, minhas taxas sanguíneas diminuirão da mesma forma, mais a frequência será bem menor. 
Queria falar um pouco a respeito da quimioterapia que realizei nesse tempo, afinal todo mundo quando escuta falar de quimioterapia pensa:“Nossa, coitado, vai sofrer tanto, é tudo tão horrível...a pessoa passa mal, fica feia, magra, careca. Meu Deus, que tristeza”.Pois é, mas as coisas as vezes são um pouquinho diferentes do que pensamos.
E eu posso dar uma pequena prova disso pra vocês.Eu mesma, há algum tempo já sentia arrepios e pensava que esse tipo de tratamento era como uma sentença de morte, ou quase isso, para o paciente.Enjoos, vômitos, queda de cabelo, alergias, dores de cabeça, mucosite...Só coisa boa esse remedinho traz hein? Pois é, mas é com ele que eu vou sair dessa e aprender a conviver com isso foi essencial pra mim, pois, eu pelo menos, tive pouquíssimos enjoos, um pouco de mucosite,vomitei  duas vezes, algumas dores de cabeça...e meu cabelo( acreditem se quiser) não chegou a cair. Raspei pelo simples fato que acredito que o "ser careca" faz parte do tratamento e eu quero fazer parte do tratamento, afinal é o MEU tratamento, a MINHA cura... mantendo meus belos cabelos eu só ia estar me prendendo a uma vida que infelizmente não era mais minha, eu aceitei minha Leucemia, aceitei o fato de que a minha condição agora é essa e eu não me sinto nem um pouco frustrada em relação a isso: hoje sou uma pessoa muito melhor do que era antes, porque como diz a Marlene “ Mais me vale uma cabeça, do que o cabelo” .
Depois que passei a fazer quimioterapia comecei a acreditar que tudo que acontece no nosso corpo só funciona se nossa cabeça estiver ativa e em EQUILÍBRIO com aquilo que quer reagir com ele. Com os quimioterápicos eu faço assim, penso e peço toda vez que eles entram para que façam seu trabalhinho de destruírem as células que não são boas pra mim e deixem as boas em paz, resultado: xixi de montão haha e de todas as cores(normalmente vermelho ou amarelo quando os quimioterápicos tem cor). A eliminação é essencial, por isso não me importo de urinar pelo menos 20x em um dia só (e guardar meu xixi, quando estou internada né). Fico tranquila, porque sei que aquilo que meu corpo achou que não é bom pra mim está indo embora.E aí está a maior prova de que se minha cabeça aciona o comando "entrar em equilíbrio" com o remédio, sim pode dar certo, porque afinal tá tudo aqui...todo o nosso controle está em nossas mãos .
As vezes nos esquecemos disso e deixamos no piloto automático e é aí que o solo se torna fértil para geração de grande parte dos nossos problemas, tanto no aspecto de saúde física quanto mental.
Acredito que tenho levado meu tratamento com tranquilidade devido a essa minha estratégia tão simples, que deveria ser levada a risca por todos, inclusive aqueles que não estão em tratamento. É só pensar: relacionamentos não são assim? É preciso equilíbrio, entre corpo e mente, se não a coisa não funciona.É, melhor estar em equilíbrio sempre, não?
O meu equilíbrio só foi possível porque eu passei a acreditar de verdade nele e também porque todos que estavam e estão ao meu lado me ajudaram e me ajudam a mantê-lo sempre no eixo.
Na visão budista do mundo, a vida é representada através de um desenho, que mostra uma Roda sendo segurada por um Monstro. Na parte superior há uma Lua, que significa a libertação e um Buda que mostra que é possível libertar-se da dor. Mas o que me chama mais atenção nesse desenho e que me inspira a conduzir as coisas na minha vida neste momento é o eixo da roda, onde se encontram três animais que representam o desejo, a aversão e a ignorância. O principal é a ignorância, e é a partir dele que temos que começar a focar para obter nossos resultados positivos. Mas como combater a ignorância? Simples. Com conhecimento. Quem não busca ser melhor, conhecer mais...nunca vai atingir o que quer. O conhecimento está aí, aceita-lo e principalmente ir atrás dele, sem medo,é essencial para quem quer evoluir.
Conhecer e ACEITAR o meu Câncer, foi essencial para que eu pudesse fazer essa roda girar, porque cada dia que passava eu aprendia algo novo e era esse conhecimento que me fazia ficar livre das dores.
E hoje com certeza foi um dia que me mostrou que o fato de eu ter focado no meu eixo e adquirido todo o conhecimento dessa doença valeu a pena, porque meu ciclo foi fechado e agora eu entro em outra fase que com certeza vai me trazer mais conhecimento ainda.

Na foto, Marlene... Não tenho palavras pra descrever o quanto essa pessoa foi especial pra mim e o quanto eu aprendi com ela, me ensinou que nada é por acaso e que a gente não está aqui por qualquer coisa , tudo tem um motivo e com certeza  você não surgiu na minha vida por um acaso. Obrigada por tudo.








sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Seis Meses ♥

Hoje gostaria de compartilhar esse meu sorriso e parte da minha alegria com todos vocês meus amigos: hoje , dia 18 de novembro de 2011 eu completo exatos 6 meses de ínicio de tratamento contra essa pequena supresa que surgiu em minha vida. Nada está encerrado ainda, ainda tenho pelo menos mais um ano e meio de tratamento e o controle vai até 5 anos, mais é praticamente o “fechamento” de um ciclo para mim e para todos aqueles que me acompanham.
Sempre falo que mesmo de tudo isso chegar á todos de maneira tão brusca, eu já sentia em silêncio , que algo não estava bem. Tinha pequenos pressentimentos de que as coisas na minha vida de fato iriam mudar, era só uma questão de tempo e eu no momento não conseguia ver claramente se era para melhor ou para pior , mais o pensamento de que algo estava me faltando era tão inerente á mim que eu precisava esperar pacientemente para ver.
E então chegou o momento, e quando eu e todos ao meu redor pensamos que tudo isso ia se resumir apenas em trevas, surgiu a minha, a nossa luz : a minha esperança,a minha fé, o meu amor á minha vida e á todos aqueles que me cercam. O amor e toda a fé que vocês , meus amigos, de antes, de agora depositam em mim só me fizeram e fazem ficar cada dia mais e mais forte e hoje, dia 18, com quase 7.500 leucócitos, com sangue o suficiente para poder circular por aí sem me sentir fraca ou coisas do gênero ... isso é a prova que todos os pensamentos positivos, meu e de vocês, funcionaram e continuam funcionando. Só tenho a agradecer, á tudo: á natureza, aos meus familiares, aos meu amigos e principalmente á essa força que emana de dentro de mim que eu não sei explicar, mais que é tão forte que me faz querer estar sempre bem para poder passar isso para todos os seres desse universo maravilhoso.
Esses 6 meses me fizeram adquirir boa parte do “conhecimento” que eu sentia há tempos que me faltava, e hoje eu sei que é essa busca que nos motiva á viver , porque se daqui um dia ou outro nós não estivermos mais por aqui, isso é a única coisa que eu e vocês vamos levar para qualquer lugar que nós formos : educação, conhecimento, sabedoria... quero minha caixinha cheia, quero poder compartilhar ela com todos aqueles que querem encher a sua também ! Viver no vazio não vale a pena, ter uma vida cheia de amor, alegrias, esperança , paz e luz é que nos faz ser pessoas melhores para poder ajudar os outros á serem melhores também, porque afinal estamos todos juntos nessa né ? Somos um só coração batendo em milhares, milhões, bilhões de ritmos diferentes ... mais em plena harmonia, só basta adquirirmos consciência disso, e eu pelo menos me sinto totalmente disposta á cumprir essa missão !

Obrigada á todos aqueles que torcem por mim, rezam, mandam palavras de esperança e paz. Minha luta continua, mais boa parte dessa pequena batalha já foi completa :).

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=0jsw_r0hILQ
"I can see clearly now the rain is gone, I can see obstacles in my way. Gone are the dark clouds that had me blind."